30 de setembro de 2013 às 09:39h

A Câmara de Vereadores e a arte de fazer difícil o que poderia ser simples

É de propósito?

É de propósito?


 
É de propósito?
 
A Câmara de Vereadores de Caruaru, por objetivo próprio ou por acidentes, nos últimos meses, resolveu fazer tudo um pouco mais difícil.
 
Até parece que existe a intenção real de complicar a vida de todo mundo, inclusive dos próprios vereadores, através de decisões distantes de critérios jurídico, éticos, participativos, democráticos. Esqueceu-se de tudo isso quando se votou, ainda em 2012, um reajuste de salário para os vereadores. Reajuste, aliás, que eles ainda não receberam nem um centavo. Se receberem, existe a possibilidade real de terem que devolver, porque o aumento foi votado ferindo a Constituição.
 
Aliás, no dia em que esse reajuste havia sido votado, este jornalista que vos escreve perguntou, pessoalmente, ao então vereador Leonardo Chaves se a votação não feria o princípio constitucional da impessoalidade.
 
Afinal, os vereadores que participaram da votação já estava reeleitos para 2013 e votavam o próprio aumento. A matéria deveria ter sido apreciada antes da eleição e não depois, como foi feito. O vereador foi seguro: “De maneira alguma. Não há problema nenhum. O que importa é que estamos votando em uma legislatura anterior. O aumento só virá na próxima formação”, dizia, cheio de certeza.
 
Enquanto ele falava, eu pensava que isso ia acabar dando problema pra eles. E deu.
 
Há alguns dias, o agora presidente da Câmara me surpreendeu novamente. Dessa vez, admitiu em uma entrevista para o programa que apresento na TV Jornal, afirmando que os vereadores não tinham recebido o aumento ainda porque a votação feriu o princípio constitucional da impessoalidade. Pois é.
 
Alguns poucos dias depois, mais uma: o vereador, experiente que é, atropela a Constituição e a Lei Orgânica para tentar evitar uma CPI contra a gestão José Queiroz. Fez o papel dele, novamente, não como representante do povo, mas como representante da bancada de situação. A história vai ter que ser resolvida na justiça e a oposição entra hoje com um mandado de segurança.
 
Leonardo é experiente, vai completar 40 anos de Câmara. Há outros vereadores muito experientes na Casa, apesar dos novatos terem se mostrado bem mais atuantes nos últimos meses.
 
Então, eu repito a indagação do início do texto:
 
É de propósito?
 

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