19 de dezembro de 2013 às 07:34h

A culpa é nossa

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Dez vereadores de Caruaru estão presos e o que mais me impressiona ao fazer uma análise do caso é que quase todos estão pela primeira vez na Câmara exercendo este cargo. As únicas exceções são Cecílio Pedro, Louro do Juá e Val Lima.
 
Antigos vereadores que não conseguiram a reeleição em 2012 devem achar que o artigo é sobre eles. Não, amigos. Com todo o respeito, se vocês não conseguiram continuar é porque a campanha de vocês não chamou a atenção devida.
 
E o que assusta, para quem observa, é o que realmente chama a atenção do eleitor para fazê-lo votar.
 
Este artigo é sobre você, eleitor, que dá emprego a uma pessoa, achando que não é você mesmo quem vai pagar o salário dele e sofrer com as atitudes da criatura. Com um agravante: você não poderá demiti-lo durante quatro anos.
 
Todas as terças e quintas deste ano de 2013 eu costumava me surpreender com alguma nova piada pronta vinda da casa que deveria legislar sobre os assuntos mais sérios do município. E sempre achei que era difícil piorar.
 
Mas piorou e piorou a cada dia, com acontecimentos, cada vez mais, lamentáveis. Não foi por falta de aviso, nem por falta de orientação. Acabou o papo sobre os “coitadinhos” dos vereadores novatos que não sabem direito o que estão fazendo.
 
Quem leu, conforme eu li, o processo, quem viu os detalhes da investigação, os registros telefônicos, as imagens, as gravações das conversas, sabe que ali não estavam vereadores inocentes.
 
Ali estavam servidores públicos interessados em uma grande quantia em dinheiro para ser paga pela consciência deles. Uma consciência que já nem se importava com a representatividade popular que eles deveriam exercer.
 
O processo corre em segredo de justiça, quem divulgar pode ser punido severamente. É lógico que cabe à justiça definir a culpa de cada um. Mas quem o leu, conforme eu li. Não consegue pensar em inocência.
 
Cada cidadão, cada eleitor, poderia aproveitar este momento para fazer uma reflexão. Depois de tanto esforço, de tantas mortes, da tortura. Depois de tanta luta para se recuperar o direito ao voto, o que foi que nós fizemos? O que é que nós fazemos, a cada dois anos, indo às urnas como se fôssemos em uma festa, para exercer esse direito?
 
Será que não chegou a hora de se esquecer o folclore, a alegria, a tal festa da democracia, e começar a exercer esse direito com seriedade, repelindo candidatos que se esgueiram com humor e piadinhas em busca de um cargo para encher os bolsos?
 
Caruaru tem passado, de tempos em tempos, por escândalos políticos nos últimos anos.
 
E eu não consigo parar de pensar que a culpa é nossa.

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