8 de setembro de 2015 às 09:20h

A dona da bola no campo vazio

dilmano-campo
 
A imagem remete aos tempos de infância, onde o dono da bola tinha lugar cativo no time. “A bola é minha. Se eu não jogar, ninguém joga”, gritava logo o sujeito. Debaixo do braço, o objeto essencial para a disputa.
 
No geral, o dono da bola precisava jogar, mesmo que entrasse ao longo da disputa e mesmo que fosse o maior perna de pau. Sem bola não tem jogo.
 
Lidar com o dono da bola é tarefa difícil. É preciso negociação. “Você é o primeiro da próxima partida”. “Você começa jogando, mas se perder sai e entra na fila normalmente”.
 
Apesar de tudo, ser o dono da bola também requer agilidade de pensamento e percepção do outro. Ser o dono da bola é uma função difícil e plena de política.
 
Está aí uma das grandes vantagens do futebol e que o faz celeiro de grande aprendizado. São dois fatores insubstituíveis: Não existe futebol sem bola e a bola não serve sem jogadores.
 
Se não souber negociar, o dono da bola corre o risco de ficar sozinho no campo. E ainda ganha fama de mesquinho.
 
Quem jogou pelada na infância, sabe como funciona essa negociação. A bola é importante, os jogadores são importantes, o campo é importante e o que faz o jogo é a forma como eles se argumentam e se encaixam.
 
O Brasil está em crise econômica, ampliada por uma crise política. E a crise política tem um motivo apenas: a presidente não sabe ser a dona da bola.
 
Se fosse possível retratar, em uma imagem, a situação do Brasil hoje, teríamos Dilma Rousseff, no meio de uma campo de futebol vazio, com a bola debaixo do braço, insistindo que é a dona e que tudo vai ser do jeito que ela quer. A presidente grita que se ela não jogar, ninguém joga.
 
Ela está no campo, ela tem a bola e nada mais que isso.
 
O futebol continua e os jogadores já disputam outra partida, bem longe dali.
 

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