5 de novembro de 2014 às 07:17h

A sutil e essencial diferença entre discurso e realidade do PT no governo

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É curioso. Na mesma semana em que a discussão sobre os ditos “Conselhos Populares” se acirra no Congresso, entre medidas de protecionismo legislativo, respeito à Constituição e picuinha política, uma frase da presidente da Petrobras chama a atenção pela total ausência de respeito aos cidadãos.
 
A Petrobras, para quem não lembra, é aquela empresa que “disputou” a eleição de 2014 e apareceu mais do que os outros dois candidatos. Teve mais capas de revista, com certeza.
 
Inclusive, foi a única que perdeu no final. Se é que isso ainda era possível. Porque todo mundo ganhou alguma coisa na eleição, menos a Petrobras e os brasileiros que são donos dela.
 
Brasileiros, por sinal, que são os donos oficialmente, embora PT e PMDB tenham outro entendimento.
 
Após a eleição, a expectativa, para quem entende um mínimo de economia, já era de muito arrocho. Aumento da taxa de juros, reajuste de energia, reajuste de combustível. A inflação deve bater a casa dos 7% e o crescimento do país nem deve conseguir chegar aos 0,3% que eram esperados (isso, sem a maquiagem habitual).
 
Eis que, no meio dessa expectativa onde tudo deve ser reajustado, e quando se discute a importância da participação popular no Brasil através dos Conselhos, a presidente da Petrobras, Graça Foster, afirma que “aumento de combustíveis não se anuncia, pratica-se”.
 
É curioso que a representante de uma empresa, ligada a um partido que defende participação popular, assuma a postura de enfiar um reajuste desse porte, “garganta abaixo”, sem dar nenhuma importância à divulgação do fato ao povo.
 
É contraditório, do ponto de vista moral, que essa senhora de incompetência atestada pelos inúmeros escândalos dos últimos meses, continue à frente da maior estatal brasileira.
 
É contraditório que ela ocupe esse cargo em um governo que defende participação popular.
 
A participação popular proposta pelo PT só serve para assuntos amenos ou que sejam de interesse do PT? A participação popular no PT serve apenas para criar uma cortina de fumaça onde o povo importa na hora de chancelar decretos da presidente, mas é ignorado até quando precisa saber se a gasolina vai aumentar?
 
Convenhamos, a realidade e a prática do PT nunca foram “amigas muito íntimas”. Mas, se a participação popular no governo é importante, embora o trabalhador não precise saber quando a gasolina vai aumentar, as duas “conhecidas” viraram “inimigas”.
 


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