6 de janeiro de 2014 às 08:19h

Advogados, promotores, o direito de acompanhar o trabalho da polícia e a ditadura em Pernambuco

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A morte de um ator da lei, seja ele juiz, promotor ou advogado, sempre leva ao pensamento temeroso de insegurança sob as mantas da justiça. Quando nossas instituições são atacadas, o sentimento de que o sistema pode ruir toma maior proporção. É como se, ali, plácidos diante da segurança de uma amorosa mãe, repentinamente nos enxergamos órfãos.
 
Em Pernambuco, nos últimos meses de 2013, assassinaram um promotor de justiça. É ele quem garante que os interesses públicos sejam resguardados e garantidos. Dispararam vários tiros de calibre 12 contra esse direito.
 
Agora, encontram o corpo de uma advogada. A profissional responsável por garantir o direito de defesa dos cidadãos. Esse direito foi sequestrado e assassinado.
 
Pernambuco é o Estado em que o Governador só tem olhos para uma campanha presidencial, mas não enxergou ainda o potencial destruidor que atentados contra a justiça e contra a liberdade possuem. Pior ainda: determinou, nos últimos meses, que investigações importantes fossem mantidas em sigilo, evitando os questionamentos da imprensa e escondendo erros (se houver) nas investigações.
 
No caso do promotor Thiago Soares, uma força-tarefa foi montada. Essa expressão é bonita mas o assassinato aconteceu há quase três meses e a força-tarefa não conseguiu nada além de prender um homem, sem provas, por 60 dias para depois ter que soltá-lo. E tudo acontece sob sigilo.
 
No caso da advogada Natalícia, a investigação também corre sob sigilo, mas o delegado Bruno Vital, de Caruaru, parece bastante empenhado em desvendar o crime e responsabilizar os criminosos. Há que se aguardar, já que o corpo foi localizado nos últimos dias.
 
Mas, não há informações precisas e o público é proibido de acompanhar o trabalho dos policiais. Para casos que repercutem tanto no sentimento de segurança das pessoas, é uma temeridade esse esconderijo.
 
Pensemos juntos: pessoas são mortas por causa do exercício de uma profissão, os culpados não são presos e o povo é impedido de saber como a polícia está trabalhando.
 
Para mim, este é o quadro de um Brasil dos anos 60 e 70, que parecia ter acabado.
 

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