11 de dezembro de 2013 às 08:29h

A Câmara de Caruaru e o ano de 2013

Observo sempre, e observei nos últimos dias, toda a repercussão que transpassou a votação, ou a falta dela, dos projetos do executivo na Câmara de Caruaru.
 
E não posso negar que me parece cada vez mais desviado o propósito real da Casa do povo. Um colegiado de representantes que deveria defender os interesses da população e que, apesar de mostrar força, quando necessário, só consegue se levantar defendendo os próprios interesses.
 
Nem sou favorável à opinião de que os projetos do executivo deveriam ter sido aprovados logo quando foram apresentados, às pressas. Acredito na importância da discussão dos edis e no mecanismo democrático e hegeliano. Creio nas oposições que desenvolvem melhor as teorias e no movimentar de ideias, que transformam o que era massa crua em um delicioso alimento pronto.
 
Mas, nos últimos dias, o que se viu na Câmara de Vereadores de Caruaru, e é isso que constrange a população, foi uma luta pretensamente quixotesca em favor de interesses próprios.
 
Quem acompanhou a reunião desta terça-feira (10), pode confirmar isso usando as declarações dos próprios parlamentares.
 
Em vários momentos, os representantes do povo, nos argumentos pela não aprovação da reforma administrativa, usaram o discurso de que o problema era a Secretaria de Participação Social. “Desnecessária”, “cabide de empregos”, foram alguns dos adjetivos utilizados.
 
É importante explicar o problema dos vereadores: a secretaria é responsável pelo Orçamento Participativo, onde plenárias são realizadas para ouvir a população diretamente em suas necessidades.
 
Na explicação acima, o que deveria preocupar os vereadores seria a palavra “necessidades”. Na verdade, o que os preocupa é a palavra “diretamente”.
 
Hoje, quando o povo necessita de alguma melhoria para sua rua, seu bairro, é obrigado a pedir ajuda ao vereador.
 
O vereador que, quase sempre, não resolve tudo, finge que resolveu e ganha uma importância singular naquela comunidade. Garante uma votação maior nas eleições.
 
Funciona assim desde que nosso sistema eleitoral voltou a estar ativo no atual modelo que, oficialmente, seria um regime democrático. Mudar isso agora é como trocar uma avenida de lugar sem avisar ao ceguinho que a atravessa todo dia. Alguém acaba se machucando.
 
O problema é que, não mudar isso mantém uma relação de dependência eleitoral que se assemelha ao tempo dos coronéis, quando cada território era dominado por um mandatário e a democracia se resumia ao balançar positivo de cabeças sob força. Aqui, este ano mesmo, já vimos vereadores brigando por território. O que é lamentável.
 
O povo precisa ter voz. E as pontes precisam ser livres, sem o pedágio do voto.
 
Em outro momento, ainda na reunião de ontem, um vereador ainda soltou mais uma, dessa vez se referindo à secretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, renomeada nesta reforma. Disse que se fosse para nomear o atual secretário da pasta, não votaria, porque ele não os têm atendido bem.
 
Então, o que vale para os vereadores não é o trabalho desempenhado por cada secretário, mas a simpatia e receptividade deles com os edis? É estranho.
 
Dizem que quanto maior o poder, maior a responsabilidade sobre o detentor dessa força. A visibilidade que a Câmara de Caruaru está obtendo nos últimos anos, com o acompanhamento fiel da imprensa, está mostrando vícios que ninguém imaginava existir. Ou que não se importava.
 
As prioridades estão invertidas, porque sempre estiveram e ninguém nunca se preocupou. Ética e comprometimento com a cidade, com os interesses públicos, estão se transformando, cada dia com maior velocidade, em “espetacularização” pelo voto, por atenção e defesa de interesses próprios.
 
Mas toda conduta desviada pode ser restabelecida se houver boa vontade. Este texto não pretende denegrir ninguém. Apenas serve para lembrar que vereadores são funcionários públicos eleitos pelo povo e precisam trabalhar pelos patrões, eleitores. Cidadãos que labutam diariamente para pagar impostos e garantir os salários de vocês, do prefeito, dos secretários.
 
Pensemos nisso para 2014, porque 2013 já foi.
 

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