7 de Maio de 2015 às 11:19h

Caruaru pode ser a maior cidade do Estado, aposta Max Gehringer

Max Gehringer
 
O administrador, consultor de carreiras e palestrante, Max Gehringer, esteve em Caruaru (PE), nessa quarta-feira (07), realizando uma palestra no Experience Day da Unifavip/Devry, aproveitamos a oportunidade para uma empolgante conversar com o colunista. Gehringer, que é daquelas pessoas que vão logo dizendo “pegue uma cadeira e sente aí pra gente conversar”, o que se faz necessário, já que ele não economiza palavras e sugestões.
 
Durante a palestra, contador de causos, o administrador levou o público de duas mil pessoas, formado majoritariamente por jovens estudantes, mas com a presença de empresários que atuam há décadas no mercado, Gehringer contou histórias que vivenciou para mostrar, de forma leve e divertida, a necessidade de entender as necessidades e desejos do ser humano e, com isso, desenvolver suas habilidades dentro de uma empresa, proporcionando crescimento para o negócio.
 
Max começou falando sobre a importância de se fazer conhecido, de fazer com que outros lembrem o seu nome. Versou sobre a necessidade de ter profissionais satisfeitos e de como manter bons profissionais em uma empresa. E surpreendeu o público falando sobre o papel da mulher na sociedade, o seu conhecimento sobre Caruaru e previsões para o futuro da cidade que, segundo informou, conhece há mais de 20 anos.
 
Em entrevista para o Blog de Igor Maciel, Max Gehriger deu sugestões de como ser um bom profissional, falou das oportunidades de uma crise econômica e o que pode ser feito por Caruaru.
 
Blog – Max, em momentos de crise, há oportunidades para o profissional crescer dentro da empresa que trabalha?
 
Max Gehringer – Sim. Eu trabalhei em empresas de diversos ramos de atividade. Algumas eram tremendamente estabilizadas, outras eram uma bagunça total, davam um prejuízo desgraçado, estavam à venda. O pessoal entrava e saía, você era apresentado ao funcionário de manhã, de tarde ele já tinha ido embora. E essas foram as melhores empresas que já trabalhei na vida, porque foi onde aprendi. Aprender a trabalhar numa empresa onde não tem dinheiro, não paga a conta, atrasa o salário, depende desesperadamente que cada um trabalhe por três ou quatro. É nessas empresas em que as melhores oportunidades acabam aparecendo. As empresas que são muito estáveis e organizadas, provavelmente o chefe da contabilidade está ali há 65 anos e não vai querer sair tão cedo. As promoções funcionam na base de escadinha. Essas empresas que são mais desorganizadas, ou tem menos gente, ou está vivendo um momento difícil, essas são as que costumam gerar as oportunidades, costumam reconhecer os que não saíram depois que o mau momento financeiro passa e ela se estabiliza novamente. Eu acho que quem trabalha numa empresa assim está dando sorte, porque vai aprender muita coisa ou porque vai ter boas oportunidades.
 
Blog – Você sempre fala que crise é momento de oportunidade. Mas essa oportunidade é para o funcionário também ou só para as empresas?
 
MG – As histórias que contei eu era funcionário das empresas de crise. Eu não era o proprietário, não era nada. A resposta é sim. As empresas vão precisar muito mais, em situações adversas, que as pessoas tomem iniciativas, trabalhem mais, sugiram mais, gastem menos, reclamem menos, contribuam para criar um bom ambiente de trabalho, não participem de panelinha que fica dizendo que haverá demissões. Em crise, nós ouvimos que tudo está ruim, mas não é verdade, tem muita coisa boa acontecendo.
 
Blog – Caruaru é uma cidade em crescimento, com muitas pequenas empresas surgindo. O que essas pessoas devem fazer para o seu negócio ser seguro e sustentável?
 
MG – Quando eu soube do polo de confecções eu disse tem dois ou três gênios na cidade e é bom não deixar que esse pessoal saia daqui, porque eles conseguiram fazer com que a cidade achasse uma vocação, a confecção. O fato de ter novas empresas ajuda os empreendedores porque um ajuda a conversar com outro, muita gente deve ter quebrado porque não sabia como era o negócio. E negócios novos não funcionam assim, é preciso ter capital de giro para passar três meses no prejuízo. É bom fazer cursos no Sebrae, o gratuito que é mais básico, pelo conteúdo e pela plateia porque é formada de empreendedores. O empreendedor deve ter paciência e ser muito bom na contratação dos funcionários, identificar quem veio para ficar e o que veio p ara sair por qualquer proposta, pagar cursos para os funcionários.
 
Blog – A cidade ainda pode se desenvolver mais?
 
MG – Gostei muito das informações sobre Caruaru, porque eu passava muito por aqui, eu trabalhava em Pesqueira e a gente tinha que passar por aqui. O Morro Bom Jesus que eu conheci só tinha dois anéis de casas, agora as casas chegaram lá no topo, nas atendas. Toda vez que a gente parava eu perguntava qual é a fonte de renda da cidade e eu estranha quando o povo dizia que era a feira. A Feira de Caruaru, há 20, 30anos, parece que ela produzia e vendia ali mesmo. Hoje há muitas empresas e isso pode ser aproveitado de forma melhor com a criação, por exemplo, de desfiles de moda fora da cidade. Pelo potencial que ela tem, eu acho que Caruaru pode ser a maior cidade do Estado.
 
Blog – Quais são as sugestões para os estudantes, que estão em busca de estágios e do primeiro emprego?
 
MG – O estagiário precisa encontrar, quando sai à procura do estágio, se tem condições de fazer e quais são as empresas que contratam estagiários. Porque tem empresas em que existe uma certa quantidade de vagas para estagiários, mas já é decidido de antemão que ninguém vai ser contratado. Então o estagiário que entra nessa empresa fica pensando “o que eu fiz de errado?”. Nada, ele entrou no lugar errado. A grande lição que o estagiário precisa aprender é que ele não é empregado da empresa, embora ele seja tratado como se fosse e cobrado como se fosse. A coisa mais importante que existe no estágio é ganhar a confiança da empresa, porque ele recebe o trabalho mais idiota da empresa e deve fazer da forma mais rápida e segura para a empresa.
 

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