12 de maio de 2014 às 05:00h

Coluna da segunda-feira (12/05/2014)

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Tudo o que vem sendo especulado durante os trabalhos da comissão de ética, em verdade, só começa a se transformar em realidade, ou não, em Caruaru, a partir de hoje (12). Na manhã desta segunda, acontece a décima, e última, ouvida com os vereadores passíveis de cassação em Caruaru. Eduardo Cantarelli (SDD) será o início do fim para os edis acusados ou para os acusadores.
 
Apesar dos pessimistas, Caruaru já deu uma demonstração de que não tolera castigos trocados por afagos. Vide o processo que deveria ter cassado o ex-vereador e ex-prefeito Manoel Teixeira na Câmara. Naquela época, apesar de um vídeo e de todas as provas mostrando o mau uso do dinheiro público pelo então gestor da Casa, Teixeira escapou do processo interno. Em seguida, após a eleição, o legislativo de Caruaru foi renovado em 70%. Quase 3/4 do plenário foi “demitido” pelo povo, através do voto.
 
Mas o povo de Caruaru também não tolera injustiças. E se o processo não for transparente, se sobrar dúvidas quanto à inocência ou culpa dos suspeitos, a cassação será questionada pela cidade também. Os membros da comissão, por sinal, partiram muito mal quando proibiram o acesso da imprensa aos depoimentos. Cada grupo, cada comissão, até tem a autonomia de decidir suas próprias regras. Mas a vontade dos membros é maior que o interesse público? Inclusive quando os próprios investigados chegaram a franquear a presença aos jornalistas? Excesso de sigilo, gera excesso de desconfiança.
 
Vereadores podem ser afastados novamente

 
A informação vem de um membro do Ministério Público. Antes mesmo de se falar em cassação, é provável que um novo pedido de afastamento seja julgado pela justiça. O MP demorou a recorrer porque os promotores não estariam encontrando a última decisão do TJPE, mandando que os edis retornassem ao trabalho. Resolvido isso, a maré pode voltar a virar.
 
A função dos vereadores de Caruaru
 
Alguns vereadores de Caruaru, definitivamente, não sabem qual a função de uma Casa Legislativa. Recentemente, um edil reclamou que os pedidos dos representantes do Legislativo nas unidades de saúde não estavam sendo atendidos pela secretária. Não, não há nenhum vereador responsável por organizar fila do SUS. É que existe uma prática clientelista de se “carregar” eleitores para serem atendidos mais rápido, com uma “ajudinha” do “amigo vereador”. Tráfico de influência, fraude, corrupção, só pra citar três crimes possivelmente decorrentes dessa prática.
 
Quem é o candidato ao Governo?
 
O anúncio de que Paulo Câmara é o escolhido de Eduardo Campos para disputar o Governo do Estado parece que ainda não surtiu efeito no trabalho da imprensa que acompanha o pré-candidato. Apesar de ter sido preterido pelo chefe e ser postulante apenas ao Senado, Fernando Bezerra Coelho, até o momento, está tendo muito mais visibilidade do que o cabeça da majoritária. O caso, explica-se, é que FBC estava pronto para ser candidato ao Palácio, com equipe montada e estrutura de campanha definida. Câmara, têm-se a impressão, foi pego de pijamas.
 
Humberto Costa reclama que discurso de Eduardo já foi feito nos EUA

 
O senador Humberto Costa (PT) mostra, dia-a-dia, que sua função no Senado é tão estratégica quanto a de um cão raivoso adestrado para atacar qualquer coisa que se mova. Em artigo ao portal UOL, o líder do governo Dilma saiu-se com uma “crítica de copyright”. Diz que Eduardo não mostra nada de novo e apenas é uma reedição da campanha de Obama nos EUA. Em determinado trecho do texto diz: “Pegam um discurso de seis anos atrás, utilizado em outro país e num contexto político completamente diferente do nosso, e resolvem encaixá-lo aqui em 2014 para ver se cola. Ou seja, temos aí uma pérola da marquetagem política, pura retórica destinada mais a persuadir que esclarecer o eleitor”, critica Humberto.
 
E o PT?

 
Fica a curiosidade sobre o que pensa o senador em relação ao marketing do PT. As últimas campanhas mostraram, quase sempre, a iniciativa de colocar os mais cabeludos problemas do país debaixo de um tapete felpudo. Enquanto isso, em 2010, Dilma e Serra passaram a eleição discutindo o aborto, a pena de morte e outros temas típicos de concursos de miss. Isso quando paravam de discutir se o governo Lula foi melhor do que o de FHC.
 

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