14 de novembro de 2013 às 06:26h

Depois de ser afastado da prefeitura de Petrolina, Júlio Lóssio escreve carta poética criticando a Justiça

 
Em carta divulgada no seu perfil na rede social Facebook, o prefeito de Petrolina – no Sertão de Pernambuco – comentou a decisão do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) de afastá-lo imediatamente do cargo enquanto ele recorre da decisão que cassou seu mandato.
 
“Um dia haveremos de ter a verdadeira independência dos poderes. Cada um sendo influenciado pela consciência de seus pares, não pela interferência pautada por interesses de outros poderes”, cravou o peemedebista.
 
Ele ainda afirmou que não confia na Justiça, mas respeita a determinação. Lossio deixará a Prefeitura nesta quinta-feira (14). O presidente da Câmara, Osório Siqueira (PSB) assumirá o poder municipal até a convocação do segundo colocado no pleito de outubro, o deputado federal Fernando Filho (PSB).
 
O pedido de afastamento foi feito no último dia 31 pelo segundo colocado na eleição do ano passado, o deputado federal Fernando Filho (PSB), após o TRE-PE decidir, em agosto, por 4 votos a 3, pela cassação do peemedebista. Ele é acusado de realizar atos administrativos públicos, prática vedada pela lei, por causa de um evento que marcou a regularização de imóveis no loteamento Terras do Sul. A cassação também vale para o vice-prefeito, Guilherme Coelho (PSDB), por isso o presidente da Câmara será empossado.
 
Veja a carta de Lossio completa:
 
Aos amigos, o meu muito obrigado pela solidariedade.
 
A cidade não pode parar, e se Deus permitir não vai parar.
 
Nossas crianças precisam frequentar as escolas. Nossos doentes, as AMES. Casas precisam ser construídas e lotes, regularizados.
 
Quem menos tem, é quem mais precisa do governo.
 
A justiça interpretou e sentenciou-me com os olhos vendados à vontade popular.
 
Não serei demagogo e dizer que confio na justiça. Serei apenas racional em dizer que preciso e vou respeitar a justiça.
 
Confio mesmo é em Deus e na força que emana do povo que nos fizeram vencer os poderes e os poderosos.
 
A injustiça sempre esteve presente em muitos tribunais. Contudo, a justiça divina sempre se fez, com o tempo que recoloca cada homem em seu devido lugar.
 
Enquanto tempo eu tiver, manterei incansável a minha luta e a daqueles que me seguem por uma cidade mais justa, menos desigual. Onde todas as crianças possam estudar e se alimentar com dignidade. Onde cada família possa ter o direito à moradia. Onde a saúde seja de todos e não um privilégio de poucos.
 
Um dia haveremos de ter a verdadeira independência dos poderes. Cada um sendo influenciado pela consciência de seus pares, não pela interferência pautada por interesses de outros poderes.
 
Mantenho viva a esperança, representada no verde de nossas plantações. Quero ser como a caatinga que, parecendo morta, floresce com mais força a cada chuva.
 

Comentários


Você pode reproduzir esta matéria, desde que seja citada a fonte.