17 de setembro de 2014 às 08:38h

Leia o relato do debate de ontem entre os candidatos ao Governo do Estado. Armando e Paulo trocaram farpas

75f0d6b215049710aa2ad7da90133db2
 
Do NE10
 
A polarização entre os dois candidatos melhor colocados nas pesquisas de intenção de voto, Armando Monteiro Neto (PTB) e Paulo Câmara (PSB), foi mantida no primeiro debate televisivo entre os postulantes ao Governo de Pernambuco, realizado pela TV Jornal, na noite desta terça-feira (16). Os dois se atacaram durante o encontro e o petebista tentou usar o terceiro candidato, Zé Gomes (PSOL), para alfinetar o adversário, sem sucesso. Apesar da troca de farpas entre o petebista e o socialista, Zé Gomes, que aponta semelhanças nas propostas e campanhas entre Armando e Câmara, participou de forma incisiva dos cinco blocos. O debate foi acompanhado por 11 mil internautas simultaneamente pela web, através do NE10 e UOL.
 
O debate começou com os três candidatos, participantes por serem os únicos em Pernambuco cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados, respondendo por que querem ocupar o cargo que disputam. O socialista, usando uma gravata amarela, cor que representa o PSB, foi para o centro do estúdio, postura que adotou na maior parte das perguntas, para responder enfatizando a sua participação no governo do seu padrinho político Eduardo Campos (PSB), gestão da qual foi secretário da Fazenda, de Administração e de Turismo. Armando, de gravata azul, disse que o Estado deve continuar em crescimento econômico, porém com a melhoria das condições de vida. Zé Gomes, sem gravata e de camisa amarela, cor também do seu partido, defendeu uma “inversão de prioridades”.
 
Zé Gomes foi o primeiro a perguntar e tentou encurralar Paulo Câmara, questionando a relação entre a “nova política” defendida pelos socialistas e a presença de antigos governadores no palanque da Frente Popular, coligação de 21 partidos encabeçada pelo PSB. Câmara usou o tempo de resposta para enfatizar a sua participação no governo do seu padrinho político Eduardo Campos (PSB), gestão da qual foi secretário da Fazenda, de Administração e de Turismo. Assim, quis mostrar que pretende, se eleito, fazer um governo de continuidade. “(O palanque) tem a presença de todos os ex-governadores, pessoas comprometidas com o Estado”, respondeu ao adversário.
 
b16ac3559cf24980d435ceabc18e428c
 
Paulo Câmara questionou Armando como ele pretende, na prática, aumentar o salário dos professores – petebista defende o aumento real de 20% no próximo ano. “Olha, Paulo, você, como candidato, se tornou muito generoso (o postulante pretende dobrar o salário dos docentes e implementar um piso de R$ 4 mil para os que ensinam nas escolas de referência e de ensino integral), mas como secretário, que teve papel protagonista no governo, foi muito perverso”, retrucou Armando. No fim deste ano, o professor de nível superior terá um aumento de 15,54%, chegando a receber R$ 1.901. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denuncia que o Estado paga o pior piso do Brasil.
 
Restou a Armando perguntar ao candidato do PSOL. O petebista tentou usá-lo para atacar Paulo Câmara, retomando um assunto que vem sendo usado ao longo da campanha: os incentivos fiscais concedidos à Bandeirantes Pneus, empresa que tentou comprar o avião usado na campanha de Eduardo Campos (PSB), que morreu há um mês, vítima de um acidente aéreo. Porém, o tiro saiu pela culatra. Zé Gomes reclamou, por exemplo, que ambos usam doações de empresas como empreiteiras na campanha.
 
43eb0d3900e8c086bd09cc368d48e1ba
 
O segundo bloco começou com direito de resposta concedido a Paulo Câmara devido à acusação de Armando que ele teria se beneficiado também com o avião usado pelo PSB. O socialista se defendeu dizendo que a acusação é infundada e que a Justiça Eleitoral já se posicionou sobre o caso, proibindo a retomada do assunto no guia eleitoral do PTB.
 
Logo depois começou a série de perguntas da população, com comentários dos adversários – o que permitiu a continuidade dos ataques. O primeiro a responder foi Paulo Câmara, sobre como preparar as cidades para os investimentos, voltando a ressaltar a gestão de Eduardo Campos à frente do Palácio do Campo das Princesas, frisando os recursos para os municípios. Armando alfinetou em relação às consequências socioambientais da implantação do polo automotivo de Goiana, na Zona da Mata Norte: “O governo do Estado tem sido omisso.” Na réplica, o socialista voltou a relembrar a gestão Eduardo.
 
Armando respondeu a pergunta sobre segurança pública, reconhecendo os avanços na redução das taxas de homicídio com o Pacto Pela Vida, mas voltando a afirmar que “o pacto precisa ser repactuado”. O petebista citou que outros índices precisam ser utilizados. “Nós temos que enfrentar isso aumentando os efetivos, criando centros de cidadania no interior, levando as delegacias especializadas”, propôs.
 
O questionamento para Zé Gomes parece ter sido feito para ele: foi sobre a abertura das planilhas de contas das empresas concessionárias do transporte coletivo no Grande Recife, uma das suas propostas. O candidato do PSOL atacou a gestão de não ser transparente. O comentário foi de Paulo Câmara, que afirmou que o transporte público tem que ser priorizado, com obras como os corredores exclusivos para ônibus, mas não citou o assunto indagado.
 
41d50ae3bfd1e8b588299a828411a246
 
Em seguida, no terceiro bloco, os candidatos responderam perguntas de jornalistas do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC). O primeiro foi Paulo Câmara, questionado por Antônio Martins Neto, da TV Jornal, sobre a situação das unidades da Universidade de Pernambuco (UPE) no interior – sem condições de estudar, os estudantes de Garanhuns, no Agreste, precisaram entrar com uma ação civil pública no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por exemplo. O candidato exaltou a melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio, já que hoje o Estado está em quarto lugar, e disse que o ensino superior será prioridade, porém não apresentou propostas pragmáticas.
 
A editora do NE10 Inês Calado perguntou justamente sobre a praticidade das propostas de Zé Gomes, como a desmilitarização da Polícia Militar (PM). O candidato respondeu que todas as promessas são reais e defendeu uma reforma política. “O que precisamos é de uma mudança política que não permita que coligações se unam sem base programática e roubem todo o tempo de televisão”, apontou. Essa ideia foi aproveitada para questionar a aliança em Pernambuco com o Partido da Mobilização Nacional (PMN), que apoia Aécio Neves (PSDB) nacionalmente, se seria apenas para tentar conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) – o PMN tem um deputado estadual.
 
Armando foi indagado por Gilvandro Filho, editor de política do Jornal do Commercio, sobre a sua vida empresarial atualmente. A resposta foi relembrando as empresas da sua família, de tradição na indústria açucareira, mas disse se dedicar à vida pública há mais de quinze anos – o petebista foi deputado federal por três mandatos e está licenciado do Senado para se dedicar à campanha.
 
O quarto bloco teve mais perguntas entre os candidatos – e ataques. Usando as críticas que recebe de Armando por não ter trajetória eleitoral, Câmara questionou a Armando se isso vale mais que experiência de gestão pública. O petebista retrucou falando com o adversário, em tom quase didático, que ele não tem papel de liderança. “Eu acho que você, daqui a alguns anos, se continuar perseverando, quem sabe, chegará a condições de postular. Você foi ungido, Paulo”, afirmou. “Você está bem ensaiado, vai pra frente, vai pra trás, mas não responde as perguntas. Você fala muito de Eduardo, que é uma figura que todos nós respeitamos, mas você tem que fazer propostas”, acrescentou.
 
Paulo Câmara não deixou barato: “Você nunca administrou nada na gestão pública e o que administrou na gestão privada, Armando, não deu certo.”
 
“Você e Armando gostam de botar muito gosto ruim nas coisas que nós fizemos”, disse o socialista na sua tréplica a Zé Gomes. O candidato foi indagado pelo postulante do PSOL sobre a mobilidade no Estado, principalmente na Região Metropolitana do Recife. “Será que é gosto ruim da população ou é uma sensação ruim?”, retrucou Armando no bloco seguinte, o último. “Ninguém aqui se interessa em colocar gosto ruim, mas nós temos que dar respostas nas áreas de saúde, de educação”, acrescentou.
 
O quinto bloco foi, da mesma forma que o segundo, de perguntas da população. A primeira foi sobre o turismo, direcionada a Zé Gomes, que afirmou que os artistas locais precisam ser valorizados nos eventos. Pela primeira vez sem sair de trás da bancada, Paulo Câmara propôs melhoria na infraestrutura e qualificação profissional para quem atua no setor. Na réplica, Zé Gomes criticou o adversário, afirmando que ele não responde as perguntas, acusando o Governo de Pernambuco de ser o principal agressor das belezas naturais do Estado com o Porto de Suape.
 
Questionado sobre a situação da saúde, o socialista voltou a ressaltar o trabalho feito na gestão socialista e prometeu construir quatro novos hospitais, reformar dois e implantar mais seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Especialidades. O comentário foi de Armando, que alfinetou o tempo de espera para exames na rede pública e ausência de médicos em algumas unidades.
 
Armando Monteiro foi o último, em resposta sobre o transporte coletivo. O petebista propôs a substituição dos trens do metrô e a ampliação dos corredores exclusivos para ônibus. Zé Gomes, responsável pelo comentário, fez a proposta de reorganizar o Consórcio Grande Recife, sob a perspectiva do usuário. Na tréplica, o petebista disse que as soluções são complexas e a tarifa deve ser equilibrada, de forma que incentive os investimentos no setor.
 
“Meus sonhos são os sonhos de Eduardo, são os sonhos de cada pernambucano”, disse Paulo Câmara nas considerações finais, citando o padrinho político mais uma vez – foram mais de 15 ao longo do debate. Armando afirmou que a política é um exercício de esperança. Zé Gomes voltou a dizer que os dois candidatos têm posicionamentos convergentes, fechando o debate.
 

Comentários


Você pode reproduzir esta matéria, desde que seja citada a fonte.