30 de setembro de 2013 às 15:15h

Lula se revezará com Dilma nos palanques em 2014

Lula diz que está "no jogo"

Lula diz que está “no jogo”


 
Da Agência Estado
 
Depois de dizer que está “no jogo”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que será um caixeiro viajante para reeleger sua sucessora, Dilma Rousseff. “Quero ser a metamorfose ambulante da Dilma”, afirmou ele, em entrevista aos jornais do Grupo Diários Associados, que circulam na capital federal.
 
A cúpula do PT só aguarda a definição do quadro partidário, nesta semana, para montar uma agenda de viagens para Lula. Pela lei, o prazo de filiação para quem quiser disputar a eleição do ano que vem termina no sábado, 5. Lula não ficará na coordenação da campanha de Dilma, mas deixou claro o que todos já sabiam no meio político: pedirá votos para a presidente, muitas vezes se revezando com ela nos palanques.
 
“Eu vou percorrer o Brasil como se eu fosse candidato”, afirmou Lula. “Se ela não puder ir para o comício num determinado dia, eu vou no lugar dela. Se ela for para o Sul, eu vou para o Norte. Se ela for para o Nordeste, eu vou para o Sudeste. A única coisa que eu não vou fazer é cantar, porque sou desafinado mas, no resto, ela pode contar comigo.”
 
A estratégia do “revezamento” já foi usada por Lula no fim da campanha de 2010, quando ele lançou Dilma à Presidência. Essa “divisão de tarefas” sempre foi defendida pelo marqueteiro João Santana como forma de multiplicar a propaganda petista.
 
Na entrevista, o ex-presidente também avisou que não aceitará divisões no PT em relação a Dilma, enterrando de vez o “Volta Lula”, entoado por setores do partido. “Se houver alguém que se diz lulista, e não dilmista, eu o dispenso de ser lulista”, insistiu. “Eu não estou pedindo que as pessoas gostem dela. Eu quero que as pessoas a respeitem na função institucional e saibam que o PT está lá para apoiá-la.”
 
CAMPOS E AÉCIO – Na avaliação de Lula, o PT e integrantes do governo erraram ao empurrar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para fora da base aliada. “Foi um prejuízo para a gente ter o PSB, e sobretudo o Eduardo, do outro lado”, disse o ex-presidente. Mesmo assim, ele afirmou não dar “de barato” que Campos – presidente do PSB – dispute o Palácio do Planalto com Dilma, no ano que vem.
 
“Eu não dou de barato que as coisas estão definidas na eleição. Nem para o Eduardo Campos ser candidato nem para o Aécio (Neves) ser candidato. Sabe-se lá o que o (José) Serra vai tramar contra o Aécio?”, argumentou Lula.
 
O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, é o pré-candidato tucano à sucessão de Dilma, mas dirigentes petistas acham que o ex-governador José Serra (PSDB) poderá desbancá-lo do posto. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), ainda nutre esperanças na saída de Serra do PSDB. Freire quer dar legenda a Serra para que ele possa novamente concorrer ao Planalto.
 
Para Lula, a ex-senadora Marina Silva tem o direito de criar um partido, mas precisa assumir que está entrando nesse jogo. “Tem de ter coragem de dizer que é partido, não tem de inventar outro nome, dizer que não é partido, é uma rede. É partido e vai ter deputado, como todo partido”, provocou o ex-presidente, numa referência à Rede Sustentabilidade, como Marina batizou a sigla que pretende criar.
 
Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula e deixou o cargo em maio de 2008, após desentendimentos com Dilma, que então era chefe da Casa Civil.

Comentários


Você pode reproduzir esta matéria, desde que seja citada a fonte.