27 de novembro de 2013 às 08:45h

O que muda com o fim do voto secreto no Congresso

Congresso-Nacional
 
Difícil é saber o que não muda. O segredinho era o que incentivava e permitia o jogo de comadres nos corredores de Brasília. Os acordos vão deixar de existir? Não. Mas o interesse público vai precisar ser levado em conta na negociação.
 
Recentemente, um colega meu acompanhou um grupo de empresários de Caruaru que viajou em busca de apoio para uma votação importante no Congresso. Era algo que poderia beneficiar a economia, o comércio e incentivava o investimento e a geração de empregos. O objetivo era acabar com a multa sobre o FGTS, que os empregadores pagam ao Governo Federal. Dinheiro que não volta para o trabalhador quando ele é demitido e vai para os cofres da União. Uma dessas taxas criadas há anos para tentar consertar as bobagens feitas pelos planos econômicos atrapalhados que o Brasil precisou enfrentar.
 
Durante a visita, os empresários receberam tapinhas nas costas, promessas de apoio. Teve até deputado fazendo coro e garantindo a aprovação da medida. Se dependesse deles a matéria já estava aprovada. E mais, garantiram que esse era o pensamento da maioria da Casa. Um projeto importantíssimo.
 
Poucos dias depois, a ministra da Casa Civil, Ideli Salvatti, anunciou a liberação de emendas (dinheiro mesmo) para os parlamentares. Dinheiro que seria destinado, através deles, as suas bases eleitorais.
 
Adivinhem o resultado. A proposta foi rejeitada, os empresários vão continuar pagando a taxa, criada para pagar uma dívida já paga, e a economia do País que “aprenda a se virar”, igual os deputados se viram todo dia pra ganhar o dinheirinho deles.
 
O pior é que ninguém sabe quem votou com o Governo e quem votou com os empresários. Simples assim.
 
O voto secreto é o mesmo que dizer: cidadão, você escolhe o seu representante, mas não pode saber o que ele vai fazer, é segredo. Escolha pelas promessas, pela cara dele, pelo que ele fala, mas pelas atitudes e pelo caráter não.
 
O fim do voto secreto vai acabar com isso? Repito, não! Mas a imprensa vai poder fazer o papel dela com mais informação agora. Deputado e senador que votar contra ou a favor de determinada matéria vai ter o nome sempre divulgado pela imprensa. E se o povo não gostar, ele que se prepare na próxima eleição.
 

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