8 de setembro de 2014 às 12:00h

Para livrar o Brasil da corrupção, por Marina Silva e Beto Albuquerque

São Paulo (SP) 07/09/2014 Eleições. Candidata a presidencia ex senadora Marina Silva, em entrevista coletiva na sede nacional da campanha.

São Paulo (SP) 07/09/2014 Eleições. Candidata a presidencia ex senadora Marina Silva, em entrevista coletiva na sede nacional da campanha.


 
Pronunciamento feito no dia 7 de setembro:
 
“Hoje é o dia histórico da Independência do Brasil. Nesta data, em 1822, deixamos de ser uma colônia de Portugal.
 
Esse gesto que consolidou a longa luta pela independência do Brasil foi fonte de inspiração, ao longo da nossa história, para outros gestos e outros momentos em que reafirmamos nosso amor à liberdade: o fim da escravidão, a República, o direito das mulheres ao voto, a campanha do Petróleo é Nosso, a luta pelas Diretas Já, a Constituição de 1988, a estabilização da moeda e o início do importante processo de inclusão social.
 
Um desses momentos que podemos comemorar como nossa segunda Independência foi em 15 de março de 1985, quando saímos do jugo da ditadura militar e recuperamos nossa liberdade democrática.
 
Chegamos agora a mais um momento histórico, onde podemos avançar em nossa independência, encerrando de vez e mandando para os arquivos da história o comportamento coronelista e patrimonialista que ainda domina o sistema político em nosso país.
 
Chegou a hora de aposentar aqueles que querem estar no poder a qualquer preço e mancham com a ilegitimidade da mentira e da manipulação as instituições democráticas e até as eleições, que deveriam propiciar escolhas conscientes e livres a todos os cidadãos.
 
Podemos, agora, livrar o Estado brasileiro da corrupção, do loteamento de cargos, da apropriação indevida das instituições públicas e também do uso de meios oficiais para caluniar e destruir adversários políticos, substituindo o debate de idéias pelo embate marcado pela calúnia e a difamação.
 
Nessa velha política, as prioridades e conquistas do povo são tratadas como favores de grupos poderosos que mantêm a nação cativa de seus interesses e de sua impressionante teia de protegidos e cúmplices no assalto aos bens públicos.
 
O maior exemplo disso é a Petrobras. Na campanha eleitoral, sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada por todos os meios, a Petrobras é destruída pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção.
 
Nesta nova fase de ampliação da nossa independência, o povo brasileiro há de recuperar o que é seu, por história e direito. E há de iniciar um novo momento, em que as riquezas naturais de nosso País serão exploradas em benefício de todos.
 
A exploração do pré-sal deve ser feita com responsabilidade e competência. As riquezas daí oriundas garantirão projetos estratégicos para o País, viabilizando significativos investimentos em saúde e educação que apontem para a construção do nosso futuro, com estímulo à inovação e ao desenvolvimento da tecnologia.
 
Hoje o nosso país está doente. Doente da sanha pelo poder que destrói a política e a desfigura como instrumento da sociedade para decidir seus rumos e fazer suas escolhas.
 
Mesmo que nossos adversários teimem em não reconhecer, a Coligação Unidos pelo Brasil representa a proposta de mudança que denuncia o papel nefasto da polarização entre duas forças políticas – o PT, o PSDB e seus aliados – no travamento da democracia no país.
 
Tanto representamos a mudança que a sociedade brasileira está assistindo a um degradante espetáculo político inédito: PT e PSDB irmanados na determinação de nos destruir, não importam os meios.
 
Desde o falso respeito e admiração no início da campanha até os ataques caluniosos diretamente proferidos pela nossa adversária do PT em sua propaganda na TV e a impressionante mobilização de exércitos de propagadores de calúnias, mentiras e distorções nas redes sociais.
 
Não se conformam de ver o povo brasileiro demonstrando sua vontade de sair da colonização política representada por ambos.
 
Não se conformam de ver sua bem treinada e confortável polarização ser quebrada pela primeira vez em décadas.
 
Partem juntos para o enfrentamento da manifesta vontade social por mudanças.
 
Encontram-se, finalmente, naquilo em que se transformou a essência de ambos e que os une: uma concepção hegemônica velha, ultrapassada e raivosa de política.
 
Tanto representamos a mudança que nossa proposta de mandatos é clara: os mandatos devem ser exercidos apenas para servir à sociedade, e não como profissão.
 
Em nome desse propósito, já manifestei minha decisão de, uma vez eleita, não concorrer à reeleição, que se transformou num caminho perverso para o mau uso do Estado em nome de alianças não para governar bem, mas para se manter no poder.
 
Estamos no limiar de uma nova independência.
 
Os cidadãos precisam ser respeitados pelo sistema político porque eles são o centro, a razão de ser da democracia.
 
Precisam viver sua vida e exercer suas escolhas políticas com generosidade, amor pelo país e espírito aberto para o futuro.
 
Não podem ser transformados em massa de manobra de ódios e apego ao poder.
 
Têm de sentir que é possível e desejável conviver no respeito e na valorização da diversidade porque é dela que vem a força e a beleza de sermos humanos.
 
E é da natureza humana mudar e desenhar horizontes mais livres, melhores para todos, capazes de aumentar a chance de cada um de nós ser feliz à sua maneira.
 
Este sonho precisa estar entranhado na política, que é a forma pela qual nos organizamos e nos definimos como um coletivo, uma comunidade.
 
Eu e Beto esperamos contribuir para que este caminho se abra, mesmo a um alto custo.
 
Mesmo diante deste momento de degradação do debate político, nossa aliança espera contribuir para aprofundar a independência do Brasil.
 
Uma independência que viabilize o realinhamento político das forças compromissadas com o aprimoramento da democracia, capaz de estabelecer um novo ciclo de prosperidade política, econômica, social, ambiental e que favoreça o fortalecimento do Congresso Nacional e das demais instituições democráticas.”
 


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