29 de novembro de 2013 às 09:34h

Para quem defende a Ditadura, vale a pena ler esse duro depoimento e ver se concorda com o que aconteceu em Pernambuco

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Do Jornal do Commercio desta sexta-feira (29)
Por Carolina Albuquerque

 
Como estudante de medicina e estagiário do Hospital Psiquiátrico da Tamarineira na época da ditadura militar, o professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e psiquiatra, Othon Coelho Bastos Filho, foi testemunha ocular do estado lastimável no qual chegavam presos políticos vítimas de tortura.
 
No seu depoimento à Comissão da Verdade Dom Hélder Câmara, em audiência realizada nessa quinta-feira (28), o professor relatou a forma precária em que encontrou a ex-presa política Sylvia de Montarroyos, torturada aos 17 anos, e Edval Freitas, ambos levados à unidade psiquiátrica.
 
O seu depoimento foi tratado por “corajoso” pelos membros da Comissão, justamente por não se eximir de citar os nomes dos envolvidos. Em um dos momentos, Othon lembrou que a jovem Sylvia, mesmo abalada psicologicamente, pôde falar que foi abusada sexualmente por um senhor de olhos claros, “chefe dos outros policiais”.
 
“Ela pôde dizer, por exemplo, que foi seviciada, não usou exatamente esse termo mas algo similar, sexualmente por um senhor de olhos claros do Dops. Esse senhor de olhos claros que era secretário de segurança pública. Depois pude dar isso como prova”, disse.
 
Nesse ponto, a relatora do tema “Ocorrências no Meio Acadêmico e Cultural”, Nadja Brayner, o interpelou sobre o nome do torturador em questão, citando Armando Samico, então secretário, algo confirmado pelo professor. Hoje residindo em Portugal, Sylvia de Montarroyos lança seu livro de memórias Réquiem por Tatiana dia 5 de dezembro, no Museu do Estado. À Comissão, dará um segundo depoimento, desta vez de público, no dia 9.
 
Othon Bastos também detalhou a “cena dantesca” em que encontrou, no Hospital Geral do Exército, Waldir Ximenes, amigo e conselheiro político do ex-governador Miguel Arraes, após bárbaras sessões de torturas. “Ele estava curvado, com a coluna fraturada, com mãos edemaciadas e genitálias idem e tinha rompido o tímpano. Claramente sinais de pau de arara e fuzil”, contou.
 
Ximenes, falecido em 1999, foi submetido a torturas no 7º Regimento de Obuses (7º RO), em Olinda, nos dias seguintes ao golpe de 1964. Ao contrário de falsificar o laudo, o médico Lalor Motta detalhou no documento as lesões sofridas por Ximenes, citando, inclusive, os dias em que elas tinham ocorrido. A historiadora Socorro Ferraz, também relatora do tema, ressaltou que o depoimento do professor Othon Bastos serve para rebater muitos dos laudos médicos manipulados e falsificados para esconder as torturas praticadas pelo Estado contra os militantes políticos.
 

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