22 de outubro de 2015 às 10:52h

Proposta de corte no Bolsa Família é absurda e inaceitável, diz Humberto

HUMBERTO
 
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), classificou de absurda e inaceitável a proposta do relator do Orçamento Geral da União de 2016,
deputado Ricardo Barros (PP-PR), de cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família. Em discurso na tribuna do plenário nesta quarta-feira (21), o senador afirmou que a sugestão é covarde e completamente descabida, principalmente porque retira dos mais pobres e preserva os mais ricos em um momento de crise.
 
O líder do PT ressaltou ainda que o Brasil caminhou muito desde 2003 para vencer a pobreza extrema e sair do Mapa da Fome Mundial e que o PT e o Governo Dilma vão lutar para impedir esse retrocesso social. “Essa é uma medida que se traduz em falta de coragem política: no primeiro momento de crise, se quer cortar o maior programa de transferência de renda e de mobilidade social do mundo, que deu ao povo deste país o direito de deixar a pobreza para trás”, observou.
 
“É inadmissível alterar um programa em que 97% das crianças e adolescentes beneficiários frequentam regularmente a escola e 99% das gestantes e das crianças atendidas têm seu pré-natal e sua vacinação em dia, respectivamente”, complementou. O Orçamento Geral da União de 2016 tramitará até o fim do ano e está sujeito a alterações propostas pelos parlamentares. Por isso, o líder do PT avalia que a ideia de cortar dinheiro do Bolsa Família não vai prosperar.
 
Preconceito
 
Humberto avalia que o relator ainda demonstrou enorme desconhecimento sobre o programa ao justificar a ideia do corte com base no que o próprio governo reconhece: que 72% dos beneficiários do Bolsa Família trabalham. “Quando fala isso, o relator repete o discurso preconceituoso de quem diz que são vagabundos aqueles inscritos no Bolsa Família. De fato, sete em cada dez adultos beneficiários do programa estão no mercado de trabalho”, afirmou.
 
O senador explicou que eles estão no cadastro único do programa porque estão procurando emprego ou exercem atividades precárias em que ganham de forma insuficiente para a sua sobrevivência. “É por isso que necessitam de um complemento de renda que lhes garanta o mínimo de dignidade humana, sonegada descaradamente por mais de cinco séculos neste país”, disparou.
 
O parlamentar ressaltou que 55% dos beneficiários do programa são crianças e adolescentes, que, graças ao Bolsa Família, passaram a ter direito à alimentação, à saúde e à educação. “Pela primeira vez na nossa história, vemos a primeira geração sem fome e na escola. Diante disso, pergunto: são esses os brasileiros aos quais nós não daremos mais acesso ao Bolsa Família, caso precisem ingressar no programa?”, questionou.
 


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