15 de agosto de 2014 às 17:35h

PSB começa a questionar investigação da aeronáutica

Do Uol
 
O ministro da Defesa, Celso Amorim, recebeu há pouco um telefonema do deputado gaúcho Beto Albuquerque. Líder do PSB na Câmara, Beto pôs em dúvida a investigação da Força Aérea Brasileira. Falando em nome do partido, o deputado pediu explicações sobre a notícia de que o áudio disponível na caixa-preta do avião que transportava Eduardo Campos não corresponde ao voo que terminou tragicamente, matando sete pessoas.
 
“O ministro me disse que também ficou surpreso com a informação”, contou Beto ao blog. “Eu informei que telefonaria para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Mas o ministro afirmou que ele mesmo ligaria, para pedir maiores explicações. Nós, do PSB, estamos achando tudo muito esquisito.”
 
O deputado conversou com o repórter pelo telefone. Ele almoçava num restaurante de São Paulo com correligionários do PSB. Dividiam a mesa com Beto: Márcio França e Júlio Delgado, deputados como ele; além de Lídice da Mata e Antonio Carlos Valadares, senadores. “Estamos todos muito desconfiados”, disse Beto, que acabara de tomar conhecimento da novidade sobre a caixa preta ao checar o noticiário do UOL. Eis o que disse o deputado, para explicar por que o partido olha de esguelha para a investigação da Aeronáutica:
 
“O avião era novo e moderno. Os pilotos, muito experientes. Tivemos a informação de que houve uma explosão na turbina. Isso não acontece do nada. Depois, ficou-se sabendo que havia aviões não tripulados da FAB, os drones, naquela região. Foi confirmado que havia, mas disseram que estavam longe. Agora, dizem que o áudio da caixa-preta não corresponde ao voo. Não me lembro de ter visto outro caso no mundo em que a caixa-preta não registra o que foi dito na cabine do avião nas últimas duas horas de um voo.
 
Beto Albuquerque acrescentou: “É muita coisa ocorrendo em torno de uma tragédia. Parece até despiste. A Aeronáutica, o brigadeiro Saito, deve ao Brasil, ao PSB e à família do Eduardo Campos uma explicação convincente. Nós exigimos isso.”
 
O partido está colocando em dúvida a isenção da FAB?, quis saber o repórter. E o líder do PSB: “Nós estamos muito desconfiados desse acidente. Não vou acusar a Aeronáutica, ainda. Mas há uma sequência de episódios que estimulam a desconfiança: a turbina, os drones… E agora, casualmente, justamente no horário do acidente, a caixa-preta do avião não tem nada registrado. Eu disse para o ministro Amorim: nós acreditamos no corpo técnico da Aeronáutica. Mas, quando começam a se somar tanta coisa, a gente começa a desconfiar.”
 
O líder do PSB afirmou que advogados contratados pela legenda irão “requerer judicialmente o acompanhamento da investigação, que é sigilosa”. Beto disse, de resto, que o governo de São Paulo pode tomar a mesma providência. “Solicitamos ao governador Geraldo Alckmin que o Estado também exerça o direito de acompanhar a apuração do acidente ocorrido em seu território. Na nossa frente, ele determinou ao secretário de Justiça que analisasse o assunto.”
 

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