22 de janeiro de 2014 às 23:25h

Quando Romário e Bebeto elegeram um presidente no Brasil

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O oportunismo é a qualidade do bom jogador de futebol. Atento a cada movimento da bola, mesmo quando todos à desprezam. Qualquer pequena chance, qualquer mínimo beco transforma-se em um largo infinito por onde ele pode desfilar carregando sua majestade, a redonda.
 
Na política não é diferente. Ando aproveitando as férias para ler, e muito. Ontem, folheando um dos livros mais recentes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, deparei-me com uma confissão: ele admite ter sido oportunista na primeira eleição que disputou.
 
O próprio FHC credita a vitória na disputa sobre Lula em 1994 ao tetracampeonato brasileiro na Copa do Mundo. Diz o ex-presidente que nunca gostou de futebol e mal sabe quais são as regras do jogo, ao contrário de Lula, que é muito ligado ao esporte. Mas, naquele ano, para ter alguma chance na eleição contra o PT, precisava fazer com que o plano Real desse certo. E o plano econômico, mais um que o país recebia, só daria certo se tivesse apoio popular.
 
O PT já tinha feito campanha contra o Real. Lula, que encabeçava as críticas ao plano aparecia com 40% das intenções de voto. FHC não chegava aos 10%.
 
O tucano decidiu que se a candidatura era quase impossível, iria apostar no impossível também. Virou torcedor “fanático” do Brasil, que não ganhava uma Copa há 24 anos. Começou a aparecer durante os jogos, vestido de verde e amarelo para todos os fotógrafos possíveis.
 
Lula, que entendia de futebol e sabia que a vitória brasileira era difícil, assistia os jogos sozinho em casa. Não queria que ligassem a derrota brasileira à imagem dele.
 
O problema, para Lula, é que naquele ano o Brasil ganhou a Copa.
 
FHC diz, no livro, que imediatamente a população referenciou a vitória com a possibilidade de que a economia do País também desse certo. As pesquisas internas do partido mostravam isso. O povo começou a acreditar no Plano Real.
 
Em poucos dias, a candidatura de Fernando Henrique decolava para levá-lo a uma vitória em primeiro turno, com 54% dos votos.
 
Os atacantes oportunistas Romário e Bebeto, sem querer, terminaram ajudando a eleger um presidente.
 

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