22 de junho de 2015 às 07:00h

Sutil, PSDB em Caruaru começa a construir caminho político interessante

Em meio a tanta confusão na Câmara de Vereadores de Caruaru, um ato passou quase despercebido na última quinta-feira (18), durante a sessão ordinária da Casa. Membros do diretório municipal do PSDB, recém formado, estiveram por lá para, através de ofício, solicitar cópia do projeto da que modifica a lei sobre a transferência da Feira da Sulanca.
 
É o primeiro passo para entrar nas discussões acerca do tema mais sensível dos últimos meses na cidade. A Sulanca mexe com toda a economia do município. Os tucanos querem, oficialmente, participar.
 
É sutil, mas bastante significativo. O partido, que rivaliza com PT e PMDB em força nacional, sempre foi tímido em Caruaru, quase sem representação que o justificasse. Sempre um acessório, quer seja na oposição ou na situação.
 
É algo que pode ser modificado. Os novos membros parecem ter projeto, parecem ter foco e parecem estar dispostos a participar das grandes questões que formam a rotina administrativa e política da cidade.
 
Entre o parecer e o ser existe uma imensidão apelidada de tempo, que fala melhor que qualquer boca. É preciso esperar.
 
Mas o caminho é diferente do que fazem as principais vozes (?) da oposição em Caruaru.
 
Os membros do PSDB estiveram na Câmara bem no dia em que estava sendo votado o Plano Municipal de Educação. Dezenas de manifestantes ocuparam as galerias e entraram em confronto verbal com os vereadores. Os membros do PSDB estavam no local, poderiam ter aproveitado a oportunidade para tomar partido e aliar-se aos integrantes do movimento que ali estavam. A porta populista. Um mar aberto para mergulhar na demagogia e “lutar com os manifestantes pelo direito das minorias”.
 
Seria cômodo. Não há nenhum vereador do PSDB na Casa. Os tucanos não têm telhado de vidro em Caruaru. Poderiam ser franco-atiradores. Mas, mantiveram-se como democráticos observadores. Sem apelar para o ridículo de apoiar-se em lutas das quais não fazem parte.
 
Foi um bom exemplo. Normalmente, os dissidentes do governo municipal em Caruaru costumam apelar para demagogia, aliando-se a qualquer grupo com o qual possam reclamar do prefeito (mototaxistas, sulanqueiros, professores), mesmo quando não há nenhuma relação histórica com aquele grupo.
 
É um tanto de gente que nem sabe como é o trabalho de um mototaxista e, de repente, vira representante e defensor político da classe. Gente que nunca trabalhou na Sulanca que, de uma hora pra outra, torna-se especialista no assunto e vai pra rua com megafone pra reclamar da prefeitura.
 
Populismo barato, demagógico e sem utilidade para o desenvolvimento da cidade.
 
O PSDB saiu com o projeto da feira em mãos. E saiu limpo, por enquanto. Agora, é esperar os próximos passos e tentar entender o que eles pretendem.
 

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