28 de outubro de 2016 às 14:57h

Teste da linguinha em recém-nascidos será obrigatório em Pernambuco

Procedimento que permite evitar dificuldades na amamentação de recém-nascidos e futuros problemas na fala e na mastigação, o teste da linguinha será obrigatório nos hospitais e maternidades de Pernambuco a partir do ano que vem. A exigência está prevista na Lei nº 15.852/2016, aprovada pela Assembleia Legislativa em junho.
 
Tecnicamente conhecido como Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua, o exame consiste em detectar possíveis alterações na membrana que fixa a língua à parte inferior da boca. No teste, o profissional responsável observa tanto aspectos físicos do órgão quanto detalhes do choro do bebê, além de avaliar a maneira como a criança mama.
 
Desde 2015, por força da Lei Federal n° 13.002/2014, o exame já era exigido em todo o País. Quando diagnosticadas, variações anatômicas muito graves podem ser corrigidas por meio de uma pequena cirurgia, em que um corte é feito no frênulo para dar mais movimento à língua. Problemas de menor grau podem ser tratados com exercícios de estimulação.
 
Fonoaudiólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Hilton Justino relata que, até pouco tempo, a realização do teste não era praxe nas maternidades. Segundo o pesquisador, as crianças chegavam a idades mais avançadas com complicações na fala que poderiam ter sido corrigidas desde cedo, quando o tratamento é mais simples.
 
“Essa é uma lei necessária, que evita problemas futuros e reduz o desmame precoce. Crianças com limitações na amamentação podem ter, por exemplo, dificuldades para ganhar peso”, aponta Justino. Segundo o professor, estudos menos aprofundados estimam que até 15% dos bebês apresentem anomalias no frênulo lingual. De acordo com o pesquisador, se consideradas variações ainda pouco estudadas do problema, o número de crianças afetadas pode ser ainda maior.
 
Segundo a nova norma, todas as crianças nascidas em hospitais e maternidades no Estado devem ser submetidas ao teste. Além disso, até um mês após o parto, as unidades de saúde são obrigadas a realizar o exame em bebês nascidos fora de estabelecimentos médicos. Se verificadas, as anomalias deverão ser informadas aos responsáveis, que também deverão ficar cientes da existência dos procedimentos corretivos.
 

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